LEITURA DE HOJE · CAPÍTULO 5
A Última Temporada
*Almack's* cheirava a cera de velas caras, suor disfarçado com água de colônia, e a esperança específica de duzentas pessoas tentando parecer que não estavam se esforçando.
Thea odiava *Almack's*.
Odiava as paredes creme que se esforçavam para parecer elegantes e conseguiam apenas parecer pálidas. Odiava os lustres de cristal que projetavam luz suficiente para expor cada fio solto de um vestido reformado. Odiava a limonada — água com limão e açúcar em proporções que insultavam simultaneamente o limão, o açúcar e o conceito de bebida. E odiava, com particular fervor, a sensação de ser avaliada: cada olhar que a percorria de cima a baixo, catalogando o corte do vestido, o estado das luvas, o ângulo do queixo, como se mulheres fossem cavalos em leilão e o *ton* fosse o comprador indeciso.
Sétima vez. A última. Esse pensamento era ao mesmo tempo âncora e boia — pesava e sustentava em medidas iguais.
— Endireite os ombros — sussurrou Helena ao seu lado, sorrindo para a sala com a precisão de um farol varrendo a costa.
— Meus ombros estão endireitados.
— Estão resignados. Quero confiantes.
— A diferença é imperceptível.
— Não para uma mãe.
O vestido azul-acinzentado se comportava bem, Thea tinha que admitir. Roz fizera milagres com a renda da avó — uma faixa delicada que transformava a simplicidade do corte em algo que poderia ser chamado de intencional. O tecido de musselina, lavado tantas vezes que adquirira a suavidade de seda barata, caía dos ombros com a fluidez de água, e se alguém olhasse de perto veria os reparos invisíveis — mas em *Almack's*, ninguém olhava de perto para uma mulher em sua sétima *Season*. Olhavam através dela, o que era simultaneamente um alívio e uma ferida.
Roz estava deslumbrante, naturalmente. Usava um vestido branco — branco de verdade, não branco amarelado de lavagens — que Helena comprara com dinheiro que Thea suspeitava ter sido emprestado de algum lugar e que preferia não investigar. Ao lado de Roz, Thea se sentia como a nota de rodapé ao lado do título: tecnicamente presente, facilmente ignorável.
— Ali — disse Helena, acenando com a cabeça na direção de um grupo perto da janela. — Lady Eloise. E...
Thea seguiu o olhar da mãe e viu.
Alexander Blackwood, 5o Duque de Ravenswood, estava de pé ao lado da tia como um monumento visitando um salão de festas. Era mais alto do que Thea esperava — e Thea era alta, o que significava que estava acostumada a olhar homens nos olhos ou ligeiramente para baixo, e o fato de precisar erguer o queixo era uma novidade fisiológica que a irritou antes mesmo de ouvir sua voz. Vestia preto, porque aparentemente duques podiam usar preto em *Almack's* sem que ninguém ousasse reclamar, e o corte do casaco sugeria um alfaiate que cobrava mais pelo silêncio sobre seus clientes do que pelas costuras.
Seu rosto era exatamente o que os rumores descreviam: bonito da forma errada. Maxilar afiado demais, olhos claros demais, expressão severa demais. Bonito como uma equação que dá certo — admirável, elegante, e completamente incapaz de aquecer um cômodo. Estava observando o salão com o interesse mínimo de um naturalista catalogando espécimes já conhecidos, e algo em sua postura — ombros rígidos, mãos atrás das costas, peso distribuído como se estivesse pronto para recuar — dizia a Thea que ele queria estar ali tanto quanto ela.
Pelo menos tinham isso em comum.
— Venha — disse Helena, agarrando seu cotovelo com dedos surpreendentemente fortes para uma mulher que fingia fragilidade como arte.
— Mamãe, não vou ser arrastada...
— Ninguém está arrastando. Estou guiando. Com entusiasmo.
A travessia do salão foi uma aula de navegação social. Helena cumprimentava conhecidos com sorriso calibrado — mais caloroso para os úteis, cortês para os neutros, glacial para Lady Pemberton, que uma vez dissera que os Stirling eram "encantadores, considerando as circunstâncias." Thea seguia no rastro da mãe como um navio de guerra atrás de uma fragata, tentando parecer acessível e conseguindo, na melhor das hipóteses, parecer tolerante.
Lady Eloise os viu primeiro. Seus olhos — cinza como os do sobrinho, mas com uma temperatura completamente diferente — brilharam com algo que em outra pessoa seria satisfação e em Eloise era vitória antecipada.
— Helena! — exclamou, com o volume exato para ser ouvida por quem interessava e ignorada por quem não. — Que prazer inesperado.
— Eloise, querida! — respondeu Helena, com surpresa tão convincente que Thea quase acreditou.
As duas mulheres se beijaram no ar, e Thea observou o ritual com o olho clínico de quem estuda teatro. Cada gesto era ensaiado. Cada palavra era arma. E entre as duas, formando-se como um campo gravitacional, estava o espaço onde Thea e Alexander seriam empurrados.
— Minha filha mais velha, Theodora — apresentou Helena, com o orgulho que reservava para momentos públicos. — Thea, Lady Eloise Blackwood.
— É um prazer — disse Thea, fazendo a reverência exata que a etiqueta exigia — nem um centímetro a mais, nem um a menos.
Eloise a avaliou. Foi rápido e completo — o tipo de avaliação que varria vestido, postura, mãos, olhos e caráter em três segundos — e Thea sentiu uma centelha de respeito relutante, porque pelo menos Eloise não fingia não estar avaliando.
— O prazer é meu — disse Eloise. — Helena me falou muito sobre você.
— Espero que tenha editado — respondeu Thea.
Eloise sorriu. Era um sorriso estreito, afiado, e completamente genuíno.
— Alexander — chamou, virando-se para o sobrinho com a casualidade estudada de um mestre de xadrez movendo um peão. — Venha ser apresentado.
Alexander se aproximou. De perto, era pior — ou melhor, dependendo de critérios que Thea se recusava a examinar. Os olhos cinza-azulados tinham a qualidade perturbadora de parecerem ver além da superfície, e quando se fixaram em Thea, ela teve a sensação de que camadas estavam sendo removidas uma a uma, como páginas de um livro sendo folheadas.
— Miss Stirling — disse ele, e sua voz era grave e controlada e exatamente tão fria quanto prometido.
— Sua Graça — respondeu Thea.
Silêncio. O tipo de silêncio que em *Almack's* era praticamente uma declaração pública, porque silêncio significava que ambas as partes haviam esgotado o repertório social em duas palavras, o que era um recorde mesmo para padrões de aristocracia inglesa.
Helena e Eloise trocaram um olhar que Thea classificou como "pânico controlado."
— Thea é uma grande admiradora de literatura clássica — ofereceu Helena, com o desespero de quem joga uma boia.
— Não sou admiradora — corrigiu Thea, porque a honestidade era um defeito que ela não conseguia eliminar. — Sou estudiosa. Há uma diferença. Admiradores aplaudem. Estudiosos questionam.
Alexander a encarou. Algo mudou em seu rosto — não muito, porque Alexander Blackwood não era o tipo de homem cujo rosto mudava facilmente, mas o suficiente para que Thea notasse. Uma espécie de recalibragem, como se suas expectativas estivessem sendo silenciosamente revistas.
— E o que estuda? — perguntou ele.
— No momento, Tucídides.
— Em tradução?
A pergunta poderia ser casual. Não era. Thea reconheceu o teste — a suposição embutida de que uma mulher leria tradução, porque o grego seria improvável.
— No original — respondeu, e adicionou, porque não conseguiu resistir: — Embora a tradução de Hobbes tenha seus méritos, apesar das liberdades que toma com o *logos* do primeiro discurso de Péricles. A construção participial do grego perde força quando achatada em orações subordinadas inglesas.
Silêncio novamente. Mas um silêncio diferente. As sobrancelhas de Alexander — que aparentemente possuíam uma escala expressiva própria, variando de "desaprovação leve" a "incredulidade controlada" — haviam se erguido em um milímetro. Para Alexander Blackwood, isso equivalia a uma ovação de pé.
— A construção participial — repetiu ele, lentamente, como se testasse as palavras —, especificamente no contexto da oração fúnebre?
— Especificamente na passagem sobre arete cívica. Hobbes traduz como "virtue", que é impreciso. "Excelência" seria mais próximo, mas ainda insuficiente. O grego carrega camadas que o inglês não comporta.
— Concordo com a insuficiência, mas discordo da alternativa. "Excelência" é tão genérica quanto "virtude." O problema não está na palavra — está na impossibilidade de traduzir um conceito que exige contexto cultural completo.
— Então sugere que Tucídides é intraduzível?
— Sugiro que tradução é, por definição, perda. A questão é quanto se está disposto a perder.
Thea sentiu algo que não sentia há seis *Seasons* inteiras: interesse intelectual genuíno. Não o interesse polido que fingia para não ofender anfitriões, nem o interesse performático que exibia quando queria que a noite passasse mais rápido. Interesse real — o tipo que fazia seu cérebro salivar, o tipo que transformava uma conversa em um campo de batalha onde as armas eram ideias e a vitória não importava tanto quanto o combate.
— Tradução como perda — repetiu ela. — É uma visão surpreendentemente melancólica para alguém que lê botânica.
O segundo milímetro de sobrancelha. — Sabe que leio botânica.
— Meu pai reconheceu seu artigo no *Philosophical Magazine*. Taxonomia de rosas. A referência a Lineu no terceiro parágrafo está incorreta, aliás.
Alexander ficou imóvel. Completamente imóvel. Como um homem que acabara de perceber que estava sendo observado por algo que ele não catalogara.
— Está incorreta — admitiu, depois de uma pausa longa o suficiente para que Thea contasse três compassos da música que a orquestra executava ao fundo. — O *Species Plantarum* de 1753, não o de 1758. Misturei as edições.
— Erro comum.
— Não é. É um erro que exige conhecer ambas as edições para perceber.
— Meu pai tem ambas. Na terceira prateleira da esquerda. Abaixo do teto que vaza.
Algo aconteceu no canto da boca de Alexander. Não era um sorriso — Thea duvidava que o Duque de Ravenswood soubesse sorrir no sentido convencional — mas uma alteração, um relaxamento mínimo que sugeria que, em algum lugar sob as camadas de gelo e protocolo, existia uma pessoa que achava coisas engraçadas.
— Seu teto vaza — disse ele.
— Nosso teto vaza, nossa escada range e nosso piano está desafinado. Mas as edições de Lineu estão impecáveis.
— Prioridades.
— Exatamente.
Ao redor deles, *Almack's* continuava: casais dançavam, matronas observavam, jovens debutantes riam com a musicalidade ensaiada de quem aprendera que risadas deviam ser prateadas e nunca guturais. Helena e Eloise haviam se afastado — discretamente, estrategicamente — e observavam de uma distância que permitia vigilância sem interferência.
— Sua mãe e minha tia — disse Alexander, olhando para as duas conspiadoras com a expressão de alguém identificando uma emboscada depois de já estar dentro dela — planejaram isto.
— Completamente — confirmou Thea.
— E a senhora está aqui por vontade própria ou por obrigação familiar?
— As duas coisas. Que nem sempre são mutuamente exclusivas.
— Concordo. Embora neste caso a obrigação seja mais visível.
Thea estudou o Duque. De perto, as evidências se acumulavam em direções contraditórias. A frieza era real — estava nos ombros rígidos, na economia de gestos, na forma como mantinha distância física de qualquer pessoa num raio de três pés. Mas havia rachaduras. A forma como seus olhos tinham se acendido — brevemente, como um fósforo riscado num quarto escuro — quando ela mencionara Tucídides. A maneira como havia admitido o erro sobre Lineu sem defensividade, como alguém para quem a verdade importava mais que a aparência. E aquele quase-sorriso, tão fugaz que poderia ter sido imaginação.
— Detesta bailes — disse Thea, não como pergunta.
— Profundamente.
— Por quê?
Alexander pareceu considerar a pergunta com seriedade — o que, em si, era incomum, porque a maioria das pessoas respondia a perguntas diretas com evasivas sociais.
— Porque são ensaiados — disse ele. — Cada conversa segue um roteiro. Cada sorriso é calculado. Cada pergunta espera uma resposta específica, e qualquer desvio é tratado como ameaça. — Pausa. — Prefiro sistemas honestos.
— Como estrelas.
O terceiro milímetro. — Como sabe sobre as estrelas?
— A mesma fonte que me informou sobre a botânica. Meu pai. Ou, mais precisamente, o *Philosophical Magazine*, que meu pai assina e que eu leio quando ele esquece na mesa do café.
— Lê artigos de astronomia no café da manhã.
— Entre explosões do meu irmão de dezessete anos e besouros do meu irmão de onze, é o momento mais tranquilo do dia.
Aquilo aconteceu de novo — a quase-alteração no rosto de Alexander, como se um sorriso estivesse preso atrás de camadas de controle e tentasse, sem sucesso, escapar.
— Explosões — repetiu ele.
— Freddie. Meu irmão. Tem interesse em química que supera amplamente seu interesse em segurança. E Hugo coleciona besouros com a devoção de um monge medieval catalogando relíquias. — Thea fez uma pausa. — Somos muitos. Barulhentos. Provavelmente demais para qualquer sala, inclusive esta.
— Quantos?
— Seis irmãos. Sete filhos no total. Um prodígio, uma beleza, um idealista, uma observadora, um cientista e um entomologista. Mais meu pai, que vive num mundo onde grego antigo paga contas, e minha mãe, que acabou de entregar meu destino a uma duquesa-viúva. — Thea respirou. — É caótico, é excessivo, e eu não trocaria por nada.
O silêncio que se seguiu era diferente dos anteriores. Não era constrangido nem calculado. Era o silêncio de alguém processando informação que não esperava e não sabia onde arquivar.
— Tenho trinta e dois cômodos — disse Alexander, e a frase saiu sem que parecesse ter planejado. — E nenhum barulho.
Thea o olhou. Pela primeira vez, viu algo além do gelo — uma fresta, rápida, como a porta de um quarto se abrindo e fechando antes que se pudesse ver o que havia dentro. Solidão, talvez. Ou algo mais antigo e mais pesado.
A música mudou — uma contradança animada que encheu o salão de movimento — e o momento se desfez.
— Foi um prazer, Sua Graça — disse Thea, com a formalidade de quem reestabelece fronteiras depois de tê-las inadvertidamente cruzado.
— Miss Stirling — respondeu Alexander, com uma reverência que era tecnicamente impecável e emocionalmente ilegível.
Thea se virou e atravessou o salão em direção a Helena, sentindo nas costas o peso de um olhar que não conseguia classificar. Helena a recebeu com os olhos arregalados de esperança e as mãos apertadas de ansiedade.
— E então? — sussurrou Helena.
— Ele é — Thea procurou a palavra certa e não encontrou — inesperado.
— Inesperado bom ou inesperado ruim?
— Apenas inesperado, mamãe.
Na carruagem de volta — alugada, porque manter carruagem própria era um luxo que desaparecera três anos atrás —, Thea encostou a cabeça na janela e deixou Londres passar como um borrão de lanternas e sombras. Roz dormia no banco oposto. Helena tagarelava sobre o sucesso da noite. Thea não ouvia.
Pensava em trinta e dois cômodos vazios. E em um homem que preferia estrelas a pessoas, não porque não gostasse de pessoas, mas porque estrelas não exigiam que ele sentisse nada.
Antipatia, decidiu Thea. O que sentia era antipatia. Uma antipatia robusta e saudável pelo tipo de homem que confundia controle com personalidade e silêncio com profundidade.
Antipatia era seguro. Antipatia era gerenciável.
Antipatia não fazia o estômago apertar daquele jeito.
Thea fechou os olhos e forçou-se a pensar em números — colunas organizadas, previsíveis, obedientes. Oito mil libras. Doze *shillings*. Quarenta e cinco libras de despesas.
Mas os números, pela primeira vez em sete anos, não vieram quando chamados. Em seu lugar, uma frase ficara presa na cabeça como uma melodia indesejada:
*Tenho trinta e dois cômodos e nenhum barulho.*
Maldito Duque de Ravenswood.