LEITURA DE HOJE · CAPÍTULO 4
A Duquesa Improvável
O dossiê de Mr. Finch tinha trinta e duas páginas, e Nell já o havia lido quatro vezes.
Sentada na suíte do *Claridge's* — que cheirava a lavanda e dinheiro antigo, duas coisas que Nell começava a suspeitar serem a mesma substância na Inglaterra — ela espalhou os papéis sobre a mesa de mogno e os organizou como Thomas organizava propostas imobiliárias: em pilhas de prioridade, com anotações em tinta vermelha nas margens.
A pilha da esquerda: dados financeiros. Ashworth Park, quatrocentos hectares, renda anual de aproximadamente £4.000 contra despesas de £12.000. Dívidas acumuladas: £47.300 e crescendo. Último investimento significativo na propriedade: 1871, quando o sexto Duque reformara a cozinha e instalara um sistema de aquecimento que funcionara por exatamente oito meses antes de explodir, danificando a ala de serviço e, segundo o relatório do seguro, "a dignidade de três criados e um gato persa".
A pilha do centro: dados pessoais. Edward James Ashworth, nascido em 1857, segundo filho do sétimo Duque. Educado em Eton — onde fora, pelas notas, um aluno brilhante e um atleta medíocre — e Cambridge, onde cursara ciências naturais com distinção. Expedições botânicas a Borneo (1883), Índia (1885) e Ceilão (1886). Publicações: nenhuma oficial, embora referências em periódicos sugerissem que possuía um manuscrito sobre orquídeas tropicais que era, nas palavras de um professor de Cambridge consultado por Finch, "o trabalho mais importante sobre epífitas desde Darwin, se o idiota resolvesse publicar".
A pilha da direita: avaliação social. Aqui, o dossiê era quase poético na sua concisão devastadora:
*O Duque de Ashworth não frequenta clubes, bailes, corridas ou a ópera. Não mantém residência em Londres. Não comparece à Câmara dos Lordes exceto quando obrigado. Não tem amantes conhecidas, dívidas de jogo ou escândalos. Sua vida social é, por qualquer métrica, inexistente. A Dowager Duchess, Lady Philippa Ashworth, reside em Bath e mantém conexões que o filho negligencia. Lord Henry Ashworth, irmão mais novo, reside em Londres às custas de credores cada vez mais impacientes.*
Nell anotou na margem: *Fantasma com título ou homem com princípios?*
Debaixo da pergunta, em letras menores: *Verificar.*
Havia outros candidatos no dossiê. Finch era meticuloso — apresentara seis opções antes de chegar a Ashworth, cada uma descartada por Nell com anotações de margem que Thomas lera com uma mistura de orgulho e desespero.
O Conde de Whitmore: "Rico, mas três amantes documentadas e uma disputa de herança com a própria mãe. Não."
O Visconde de Harlow: "Encantador em salões, brutal com cavalos. Se maltrata um animal que custa £300, imagine o que faz com uma esposa gratuita."
Sir Reginald Thorne: "Bonito, educado, absolutamente vazio. Conversar com ele seria como ler uma parede — possível em teoria, inútil na prática."
E assim por diante, até que o dossiê de Ashworth aparecera na mesa como a última carta de um baralho e Nell, lendo-o pela primeira vez na sala de jantar de Manhattan com o som distante do trânsito da Quinta Avenida e o cheiro do café que Thomas insistia em servir quente a qualquer hora, sentira algo diferente.
Não entusiasmo. Nell desconfiava de entusiasmo da mesma forma que desconfiava de elogios gratuitos e de guardanapos dobrados em forma de cisne — coisas bonitas que escondiam intenções duvidosas.
Mas interesse. Um duque que publicava sobre orquídeas em vez de apostar em cavalos. Que morava na propriedade em vez de fugir para Londres. Que, segundo o relatório de Finch, tratava cada arrendatário pelo nome e sabia de cor a idade dos filhos de cada um.
*Não é o melhor candidato*, escrevera Nell naquela noite. *É o menos pior. O que, neste mercado, talvez seja a mesma coisa.*
*
Thomas entrou na suíte às onze, cheirando a café e negócios — havia saído cedo para encontrar banqueiros na City, porque Thomas Webb não viajava para lugar nenhum sem converter a visita em oportunidade.
— Bom dia, Nellie. Ainda lendo o dossiê?
— Ainda encontrando coisas que ninguém pensou em me contar. — Nell ergueu uma folha. — Sabia que o sexto Duque — o avô de Edward — tentou criar um zoológico particular nos jardins de Ashworth Park? Com uma girafa. Que morreu de frio no primeiro inverno.
— Isso é relevante?
— É revelador. Os Ashworth têm um padrão: ideias grandiosas, execução desastrosa. A girafa é metáfora.
Thomas sentou-se na poltrona oposta e serviu-se de café da bandeja que Palmer — não, que o criado do hotel, Nell precisava parar de confundir nomes que ainda não conhecia — havia deixado.
— Mr. Finch chega às duas. Quer discutir a logística do encontro.
— Logística — repetiu Nell. — Como se eu fosse uma remessa de mercadoria.
— Nell.
— Estou sendo precisa, não dramática. — Ela fechou o dossiê e encarou o pai. — Papai. Ele não foi ao baile.
— Eu sei.
— Finch disse que seria difícil convencê-lo, mas ele não *tentou*. Não é timidez. É desinteresse.
Thomas bebeu o café com a calma estudada de quem sabe que a filha está construindo um argumento e que interromper só prolongaria o processo.
— Ou — Nell continuou — é orgulho. Não quer ser visto comparecendo ao próprio leilão. O que, devo admitir, é o sentimento mais razoável que já encontrei na aristocracia inglesa.
— Então?
— Então vou conhecê-lo. Mas quero que fique claro: se ele for imbecil, se for cruel, se for qualquer coisa que meu instinto rejeitar, voltamos para Nova York no próximo navio.
— Nell, eu nunca...
— Eu sei que nunca me forçaria. — A voz dela suavizou. — Mas sei também que você precisa disso. Que *nós* precisamos. Então vou com a mente aberta. Mas vou com os olhos abertos também.
Thomas colocou a xícara na mesa e olhou para a filha com aquela expressão que era, simultaneamente, a coisa mais orgulhosa e mais triste que Nell conhecia.
— Você é melhor do que qualquer coisa que eu mereça, Nellie.
— Sou exatamente o que você criou, papai. Para o bem e para o mal.
*
Mr. Finch chegou pontualmente às duas, com uma pasta de couro, um guarda-chuva que nunca largava apesar de não estar chovendo, e notícias.
— O Duque aceitou um encontro — disse, sentando-se na cadeira que Nell indicou com a autoridade de quem já era dona do recinto. — Sábado. Jardins de Kensington. Informal. Eu estarei presente como... mediador.
— Chaperon — corrigiu Nell.
— Mediador — insistiu Finch, com a dignidade levemente ferida. — Meu papel é facilitar, Miss Webb, não vigiar.
— E como, exatamente, você convenceu um homem que não sai de casa a vir a Londres num sábado?
Finch abriu a pasta e selecionou um documento com a precisão de um arquivista.
— Mencionei que o jardim botânico de Kensington recebeu um carregamento novo de espécimes da Birmânia. Incluindo, se minhas fontes estão corretas, uma *Vanda coerulea* — a orquídea azul. Extremamente rara. O Duque tem procurado uma há seis anos.
Nell olhou para Finch. Finch olhou para Nell. Um sorriso nasceu em ambos — não de cumplicidade, exatamente, mas de reconhecimento profissional.
— Você o atraiu com uma planta — disse Nell.
— Atraí-o com um interesse genuíno. Que ele estará num jardim no mesmo dia em que a senhorita passeará pelo mesmo jardim é mera... convergência.
— Mera convergência.
— Os ingleses são mestres nisso, Miss Webb. Chamamos de *serendipity*. É como destino, mas com melhor planejamento.
Thomas, que ouvia da poltrona com o prazer silencioso de quem assiste a dois negociadores competentes se medirem, interveio:
— O que sabemos sobre o temperamento dele, Finch? Em pessoa.
Finch cruzou as mãos sobre a pasta. Era um homem cauteloso por profissão — casamenteiros que dizem a verdade completa não duram uma temporada — mas havia algo em seu rosto que sugeria opinião genuína.
— Edward Ashworth é um homem incomum, Mr. Webb. Quieto. Observador. Honesto até a rudeza quando fala, o que é raro. Não tem o charme do irmão — Frederick era sol; Edward é... luar. Menos brilhante, mas constante. Trata os criados com mais respeito do que trata os pares. E suas orquídeas são, genuinamente, extraordinárias. Não é um hobby — é uma vocação que o destino transformou em culpa.
— Culpa? — Nell inclinou-se.
— Pela morte de Frederick. Estava em Borneo quando aconteceu. Voltou para encontrar o irmão enterrado, a propriedade em frangalhos e um título que nunca quis pousado sobre seus ombros como um albatross.
— E ele é gentil? — A pergunta saiu antes que Nell pudesse filtrá-la. Finch a olhou com algo que era quase surpresa — como se, em meses de negociação, ninguém tivesse pensado em perguntar aquilo.
— É, Miss Webb. Desajeitado, sim. Distante, talvez. Mas gentil.
Nell assentiu, guardando a informação no lugar onde guardava dados importantes — não na cabeça, mas no instinto. Dados se falsificam. Instinto é mais difícil.
— Sábado, então. Kensington.
— Sábado. — Finch levantou-se. — Uma sugestão, se me permite: vista algo discreto. O Duque se sente desconfortável com ostentação.
— Mr. Finch, eu cresci em Nova York. Minha ideia de discreto provavelmente é a de ostentação deles.
— Justamente, Miss Webb. Justamente.
Finch parou na porta, o guarda-chuva já na mão como extensão natural do braço, e virou-se com aquele ar de quem lembra de um detalhe menor que na verdade é o mais importante.
— Uma última coisa, Miss Webb. O Duque tem um irmão. Lord Henry Ashworth. O senhor talvez o encontre em Londres. Henry é... — Finch escolheu a palavra com o cuidado de um relojoeiro selecionando uma engrenagem — sociável. Muito sociável. Divertido, até. Mas há uma distinção entre um homem que é encantador e um homem que usa o encanto. Sugiro que a observe.
— Está me avisando ou me armando?
— Estou fornecendo contexto, Miss Webb. O contexto é o que separa decisões informadas de arrependimentos.
E saiu, com um aceno de cartola que era metade gentileza e metade ponto final.
Nell olhou para Thomas. Thomas olhou para Nell.
— Gostei dele — disse Thomas.
— Finch? Ou do irmão que acabou de descrever como armadilha?
— De Finch. Qualquer homem que avisa em vez de esconder merece respeito. — Thomas levantou-se, esticou as costas, fez estalar os nós dos dedos com o som satisfatório de quem está prestes a retomar o trabalho. — Quanto ao irmão, veremos. Em toda família tem o que constrói e o que destrói. O truque é descobrir qual é qual antes que seja tarde.
— E em famílias como a nossa? — Nell perguntou, sem pensar.
Thomas parou. O ar na suíte mudou — ficou mais pesado, mais atento, como o ar antes de uma tempestade que se decide entre cair e não cair.
— Em famílias como a nossa, Nellie, somos os dois. Construímos e destruímos ao mesmo tempo. É o preço de reinventar quem se é.
A frase ficou na sala depois que ele saiu, pairando entre os móveis de mogno e as cortinas de damasco como perfume que se recusa a dissipar.
*
Depois que Finch partiu, Nell ficou na suíte, sozinha. Thomas saíra para mais reuniões — o homem tratava Londres como uma extensão de Wall Street, o que, pensando bem, não era completamente errado.
Sentou-se junto à janela. Mayfair se estendia abaixo em tons de cinza e creme, os telhados de ardósia brilhando com a chuva fina que caía sem pressa, como se a própria cidade estivesse transpirando. Carruagens passavam com o ritmo previsível de um relógio de pêndulo — *clip-clop, clip-clop* — e um vendedor de castanhas na esquina assobiava algo que poderia ser Mozart ou poderia ser uma canção popular, impossível dizer naquela distância.
Nell abriu o dossiê mais uma vez. A fotografia de Edward Ashworth: formal, desconfortável, cabelos rebeldes. Ombros curvados.
Virou a foto. No verso, a caligrafia de Finch: *Fotografia tirada por ocasião da posse do título, setembro de 1887. O Duque solicitou que a sessão fosse breve e recusou o uso de pomada no cabelo.*
Nell quase sorriu.
Abriu o caderno — o pessoal, o que ninguém lia — e escreveu:
*Ele não frequenta clubes — diferente dos outros.* *Não tem amantes — raro para a classe dele.* *Fala com plantas — ou fala sozinho, o que pode ser a mesma coisa.* *Não veio ao baile — orgulho ou introversão?* *Desenha orquídeas no que deveria ser seu tempo social.* *Não usou pomada na foto oficial.* *Pergunta: um homem que se recusa a fingir é o mesmo homem que se recusa a tentar?*
Fechou o caderno. Olhou pela janela.
Londres continuava seu espetáculo cinzento e pomposo, indiferente ao fato de que, em algum lugar de Derbyshire, um duque que falava com flores estava se preparando para conhecer a mulher que seria a solução para todos os seus problemas — ou a complicação definitiva.
Nell pegou a xícara de chá que esfriara sobre a mesa. Bebeu mesmo assim — preto, forte, sem açúcar, como sempre. O chá frio tinha uma honestidade que o quente disfarçava: amargo, direto, sem pretensões. A senhorita Harrison ficaria horrorizada — chá frio era, segundo ela, um sinal de desatenção que "nenhuma dama em posse de seus sentidos" toleraria. Mas Nell gostava da desatenção. Significava que estava pensando em coisas mais importantes do que temperatura de bebida.
Na rua abaixo, um vendedor de flores empurrava um carrinho cheio de narcisos amarelos que brilhavam contra o cinza de Londres como moedas de ouro espalhadas numa mesa de chumbo. Uma governanta abriu uma janela no prédio oposto e sacudiu um tapete — poeira dourada no ar, girando preguiçosamente na luz fraca. Uma criança de uniforme escolar correu pelo calçamento com um arco e uma vara, rindo daquele jeito que crianças riem, como se o riso fosse uma substância inesgotável que o corpo produz sem esforço e que a vida, eventualmente, ensina a economizar.
*Sábado*, pensou. *Kensington. Uma orquídea azul e um duque que prefere raízes a títulos.*
Do lado de fora, os sinos de uma igreja marcaram as três horas com a solenidade lenta de quem mede o tempo de uma cidade que se recusa a ter pressa. Nell contou as badaladas — três — e se permitiu, por um instante brevíssimo, sentir algo que se parecia com curiosidade.
Não esperança. Esperança era perigosa para mulheres que eram vendidas e chamadas de princesas.
Curiosidade. Que era, no vocabulário de Nell, a forma mais segura de interesse — e a mais difícil de conter.