LEITURA DE HOJE · CAPÍTULO 3
A Duquesa Improvável
A orquídea estava morrendo, e Edward não conseguia descobrir por quê.
Ajoelhado no chão da estufa, com terra úmida infiltrando os joelhos da calça — a boa, a que o alfaiate de Savile Row insistira que fosse usada apenas em ocasiões formais, o que demonstrava como alfaiates entendiam pouco sobre prioridades — Edward examinava as raízes da *Paphiopedilum villosum* com a concentração que um cirurgião dedica a um paciente e que ele jamais conseguia dedicar a correspondência, compromissos sociais ou às três pilhas de cartas do advogado que se acumulavam sobre a escrivaninha da biblioteca como monumentos ao desastre financeiro.
As raízes estavam escuras. Encharcadas. Podridão radicular, provavelmente fúngica.
— Você está afogando — murmurou para a planta, afastando a terra com dedos cuidadosos. — Não é sede que mata. É excesso.
A estufa de Ashworth Park era o único lugar da propriedade que funcionava. Um paradoxo que não escapava a Edward: em uma casa com sessenta cômodos, quarenta dos quais precisando de reparo, quatorze com infiltrações ativas e seis oficialmente interditados após o incidente do Natal com o teto da ala leste, ele mantinha uma estrutura de vidro e ferro em condições imaculadas, com aquecimento a carvão, sistema de irrigação manual e uma coleção de cento e quarenta e sete espécies de orquídeas que qualquer jardim botânico da Europa invejaria.
Prioridades, diriam. Escapismo, diriam.
Edward preferia chamar de sanidade.
O cheiro dentro da estufa era outro mundo: terra quente e úmida, a doçura complexa das orquídeas em flor — cada espécie com sua nota própria, da baunilha suave da *Phalaenopsis* ao almíscar denso da *Stanhopea* —, o toque mineral da água no tanque de pedra, o leve amargor do musgo nos vasos de barro. Era um cheiro que tinha profundidade, camadas, história. O oposto do salão principal de Ashworth Park, que cheirava a mofo, madeira apodrecendo e o fantasma de uma grandeza que se recusava a morrer dignamente.
Edward transferiu a orquídea doente para um vaso com substrato seco, podou as raízes comprometidas com a faca que sempre carregava no bolso do colete — uma faca de enxertia, não uma faca de cavalheiro, distinção que dizia mais sobre ele do que qualquer título — e sentou-se no banco de madeira que ficava no centro da estufa, entre as fileiras de vasos dispostos com a precisão de um herbário.
Limpou as mãos na calça. O alfaiate teria um colapso.
A luz de abril filtrava pelo vidro em ângulos oblíquos, transformando a estufa num aquário de verde e dourado. Do lado de fora, Ashworth Park se estendia em toda sua grandeza arruinada: a casa georgiana com a fachada de pedra calcária manchada de líquen, as janelas da ala leste cobertas com tábuas, o jardim formal que nenhum jardineiro podava porque não havia jardineiro — apenas Tom, de sessenta e quatro anos, que cuidava do que podia e fingia não ver o que não podia.
E além da casa, os campos de Derbyshire se abriam até o horizonte: verde-escuro sob o céu de chumbo, cortados por muros de pedra seca que subiam e desciam as colinas como costuras numa colcha gigante. A charneca começava onde os campos terminavam, extensão de urze e turfa que o vento varria sem descanso, e no fundo, quase invisíveis na névoa, os picos do *Peak District* como dentes de um animal adormecido.
Edward amava aquela terra. Amava cada hectare, cada pedra, cada árvore retorcida pelo vento que se recusava a cair. O problema — e era um problema que ocupava a maior parte dos seus pensamentos conscientes, além das orquídeas — era que amar a terra não pagava os impostos sobre ela.
— Your Grace?
Mr. Palmer apareceu na porta da estufa com a discrição sobrenatural que só mordomos de verdade dominam. Palmer era um homem de sessenta anos, magro, direito como uma régua, com olhos que viam tudo e boca que dizia apenas o necessário. Estava em Ashworth Park desde antes de Edward nascer. Servira ao pai, ao irmão, e agora ao filho que nunca deveria ter sido duque.
— Palmer.
— Chegou correspondência, Your Grace. Do advogado e de... — uma pausa quase imperceptível — Mr. Finch.
Edward fechou os olhos. Finch. O casamenteiro. A palavra soava a gado em leilão, e o pior era que não estava longe da verdade.
— Deixe na biblioteca.
— Com sua permissão, Your Grace, a última correspondência do advogado foi deixada na biblioteca há duas semanas e permanece... intacta.
— Palmer.
— Sim, Your Grace?
— Estou cuidando de uma orquídea doente.
— Compreendo, Your Grace. No entanto, o telhado da ala leste também está doente, e não responde tão bem a podas.
Edward abriu os olhos e quase sorriu. Palmer era provavelmente a única pessoa viva que conseguia ser insubordinado e impecável ao mesmo tempo.
— Cinco minutos.
— Naturalmente, Your Grace. Preparei chá na biblioteca.
Palmer desapareceu como havia chegado — sem ruído, sem pressa, com a certeza inabalável de quem sabe que cinco minutos de um Ashworth significam pelo menos vinte.
*
A biblioteca de Ashworth Park era o segundo melhor cômodo da casa, depois da estufa. Não porque estivesse em boas condições — a janela oeste deixava entrar uma corrente de ar que nenhuma cortina resolvia, e o papel de parede descascava nos cantos como pele queimada de sol — mas porque tinha livros. Milhares deles. Gerações de Ashworth com mais interesse em encadernar do que em investir, o que explicava por que a família tinha uma das melhores coleções botânicas privadas da Inglaterra e nenhum dinheiro para aquecê-la.
Edward sentou-se na poltrona junto à lareira — apagada, porque carvão custava dinheiro — e abriu a carta do advogado.
A letra de Mr. Hargrove era precisa e impiedosa como um bisturi:
*Your Grace,*
*Refiro-me à minha correspondência de 15 de março, 28 de março e 4 de abril, nenhuma das quais mereceu resposta. As dívidas da propriedade de Ashworth totalizam agora £47.300, incluindo impostos atrasados, reparos emergenciais e as obrigações assumidas pelo falecido sexto Duque. Os rendimentos atuais da propriedade cobrem aproximadamente um terço dos custos anuais de manutenção. Na ausência de capital significativo, recomendo fortemente a venda da ala leste, dos campos de North Meadow, ou, alternativamente, a aceitação da proposta de Mr. Finch, que conforme discutimos em pessoa oferece uma solução mais abrangente.*
*Aguardo instruções.*
Edward pousou a carta. Quarenta e sete mil e trezentas libras. Uma soma que, para um americano como o tal Webb, era provavelmente o custo de um bom jantar.
Pegou a carta de Finch. Era mais longa, mais gentil, e infinitamente mais humilhante:
*Caro Your Grace,*
*Miss Eleanor Webb chegou a Londres conforme planejado. É uma jovem de vinte e três anos, inteligente, de maneiras polidas e educação excelente. O pai, Mr. Thomas Webb, é um magnata imobiliário de Nova York cuja fortuna está avaliada entre oito e dez milhões de dólares — ou, em termos que talvez sejam mais relevantes, o suficiente para restaurar Ashworth Park três vezes e ainda sobrar.*
*Conforme acordado, Mr. Webb está disposto a transferir £200.000 em troca da união. Condições: propriedade separada do dote, residência em Ashworth Park, título de Duquesa para a filha. Mr. Webb é um homem prático e não espera afeto — espera respeito.*
*A jovem, devo dizer, é notável. Lê contratos, faz perguntas incômodas e tem opiniões sobre reformas agrícolas. Penso que Your Grace a achará, no mínimo, interessante.*
*O baile de Lady Pemberton é amanhã. Sugiro enfaticamente que compareça.*
Edward dobrou a carta e olhou para o retrato acima da lareira.
Frederick.
O retrato fora pintado três anos antes — Frederick com vinte e oito anos, saudável, bonito, com aquele sorriso fácil que era sua arma social mais eficaz. O duque perfeito: social, carismático, bom cavaleiro, bom jogador, o tipo de homem que entrava num salão e fazia o ar parecer mais leve. Tudo que Edward não era e nunca tentara ser.
Frederick morrera numa queda de cavalo em Rotten Row, Hyde Park, numa manhã de outubro. O cavalo tropeçara num buraco — disseram. Frederick batera com a cabeça — disseram. Morte instantânea — disseram.
E Edward herdara tudo: o título, as dívidas, a casa em ruínas, a cadeira no Parlamento que nunca ocupava, e o retrato do irmão que o olhava toda manhã com a acusação silenciosa de quem sabe que o mundo errou de Ashworth.
— Eu deveria ter estado aqui — disse Edward para o retrato, como fazia às vezes, nos dias em que a solidão ficava pesada demais para carregar sozinho. — Eu estava em Borneo, procurando uma orquídea que provavelmente nem existe, e você estava aqui morrendo.
Frederick não respondeu. Frederick nunca respondia. O que restava dele eram cartas que Edward mal tinha coragem de ler, diários guardados em baús no sótão, e um medalhão com uma fotografia de mulher que Edward não conhecia — encontrado entre os pertences, nunca explicado.
Edward serviu-se de whisky. Eram duas da tarde, o que tornava o gesto questionável até pelos padrões aristocráticos, mas a alternativa era ler os números de Hargrove sóbrio, e para isso não tinha estômago.
O whisky era bom. Malte, turfa, um toque de fumaça que lembrava lareiras acesas e noites de inverno. Era do estoque de Frederick — outra herança que diminuía a cada gole sem se renovar.
— Mr. Finch quer que eu vá a um baile — disse ao retrato. — Conhecer minha futura... compradora.
A palavra era cruel, mas Edward não conseguia encontrar outra. Era assim que a coisa funcionava: herdeiras americanas compravam títulos ingleses. A transação era tão crua quanto qualquer negócio na Bolsa de Valores, apenas revestida de seda e champanhe e a ficção de que todos estavam ali por escolha.
Duzentas mil libras. O suficiente para consertar o telhado, restaurar a ala leste, pagar Hargrove, contratar jardineiros, estabilizar os arrendamentos, financiar melhorias agrícolas que os inquilinos imploravam há uma década. O suficiente para salvar Ashworth Park.
Em troca, ele precisava se casar com uma americana que lia contratos e tinha opiniões sobre reformas agrícolas.
*Poderia ser pior*, pensou, ecoando involuntariamente um americano que nunca havia encontrado. *Poderia gostar de cavalos de corrida.*
Levantou-se, foi até a janela. O jardim se estendia até o lago artificial — seco, porque manter o lago cheio custava mais do que Edward podia justificar — e além do lago, o parque de cervos onde não havia mais cervos, e além do parque, os campos que gerações de Ashworth haviam cultivado, administrado, explorado e, finalmente, arruinado.
Colocou a mão no vidro. Frio. Sempre frio nesta casa.
— Frederick teria sabido o que fazer — disse. — Frederick teria ido ao baile, sorrido, dançado, e feito a garota se apaixonar em dez minutos.
Mas Frederick estava morto. E Edward estava aqui, com terra nas mãos e dívidas no pescoço e uma estufa cheia de orquídeas que ninguém além dele se importava em manter vivas.
*
A decisão de não ir ao baile não foi decisão — foi inércia. Edward simplesmente deixou o tempo passar, como fazia com a maioria das obrigações sociais, até que o momento de se vestir, pegar o trem e enfrentar Londres se tornasse geometricamente impossível.
Passou a noite na estufa, com uma lamparina de querosene e um caderno de desenho, documentando a estrutura radicular da *Dendrobium nobile* que havia florescido pela primeira vez em dois anos. O desenho era meticuloso: cada raiz, cada nó, cada pelo absorvente registrado com a precisão de um naturalista e o carinho de um pai. Edward desenhava melhor do que falava — as linhas diziam o que as palavras travavam, fluíam onde a conversa estancava.
Às onze da noite, Palmer apareceu com uma bandeja: sanduíche de presunto, chá, uma fatia de bolo que a cozinheira, Mrs. Hughes, havia feito com a resignação de quem cozinha para uma casa quase vazia.
— O baile de Lady Pemberton, Your Grace.
— Sim?
— Começou há duas horas.
— Ah. — Edward não levantou os olhos do desenho. — Que pena.
— Mr. Finch ficará desapontado.
— Mr. Finch ficará desapontado de qualquer forma. É a condição natural de casamenteiros.
Palmer colocou a bandeja no banco e não se moveu. Edward finalmente olhou para cima.
— Palmer. Diga o que quer dizer.
O mordomo juntou as mãos atrás das costas — o gesto que Edward conhecia desde a infância e que significava: *o senhor não vai gostar do que vou dizer, mas vou dizer mesmo assim.*
— Your Grace. A propriedade precisa de £47.000 que não temos. O telhado da ala leste vai ceder antes do inverno. Dois arrendatários avisaram que vão partir se não houver melhorias nas drenagens. E a Dowager Duchess escreveu três vezes este mês perguntando quando o senhor pretende, e cito, "parar de brincar com plantas e agir como um Ashworth".
— Minha mãe tem um talento extraordinário para a diplomacia.
— Sua mãe tem razão, Your Grace. — Palmer fez uma pausa calculada. — O pai do senhor endividou a propriedade. O irmão do senhor não teve tempo de consertar. O senhor é o que resta.
*O que resta.* A frase perfurou algo em Edward — não pela crueldade, mas pela verdade. Ele era o que restava. O segundo filho que deveria ter sido botânico, viajante, talvez professor em Cambridge, livre para estudar orquídeas em selvas remotas sem se preocupar com telhados e arrendatários e a cadeira ancestral dos Ashworth na Câmara dos Lordes.
Em vez disso, era duque. Um duque que não sabia dançar valsa sem pisar nos pés da parceira, que ficava mudo em jantares formais, que preferia a companhia de plantas à de pessoas porque plantas não esperavam que ele fosse Frederick.
— Vou escrever a Finch amanhã — disse Edward, voltando ao desenho. — Peça desculpas pelo baile.
— E a proposta, Your Grace?
Edward parou o lápis. A ponta descansou sobre o papel, marcando um ponto de grafite que parecia, no contexto, irritantemente simbólico.
— Vou considerar.
Palmer acenou com a cabeça, recolheu a bandeja vazia do almoço que Edward esquecera de comer, e saiu.
Sozinho, Edward olhou para o desenho. A *Dendrobium nobile* era uma orquídea resistente — sobrevivia a secas, a frio, a negligência. Florescia quando parecia impossível, em galhos mortos, em cascas de árvore, em substrato que qualquer outra planta rejeitaria.
*Raízes, não solo*, pensou. *Ela não precisa de terra rica. Precisa de algo a que se agarrar.*
A metáfora era tão transparente que ele teria rido se não fosse dela.
Guardou o caderno, apagou a lamparina, e saiu para a noite de Derbyshire. O céu estava limpo — raro — e as estrelas de abril ardiam com a frieza distante que era seu consolo particular: luz antiga, chegando de fontes mortas, bonita justamente porque não esperava nada em troca.
A casa se erguia contra o céu como um navio encalhado. Escura. Enorme. Sua.
— Tudo bem — disse Edward, para ninguém. Para Frederick. Para a casa. Para si mesmo. — Vou conhecer a americana.
O vento da charneca trouxe o cheiro de urze e terra molhada, e em algum lugar, na escuridão dos campos, uma coruja chamou — som antigo, paciente, que conhecia aquela terra muito antes de qualquer Ashworth pisar nela, e que continuaria conhecendo muito depois.