LEITURA DE HOJE · CAPÍTULO 2
A Duquesa Improvável
O baile de Lady Pemberton cheirava a lírio-do-vale e hipocrisia.
Nell identificou ambos assim que cruzou o vestíbulo de Grosvenor House — os lírios em vasos de prata martelada em cada superfície disponível, a hipocrisia nos olhares calibrados das mulheres que a mediam da cabeça aos pés enquanto fingiam admirar a decoração. Era um talento, aquilo. Julgar e sorrir ao mesmo tempo, como se as duas coisas fossem gestos naturais do mesmo músculo.
Nell sorria de volta. Ela também havia praticado.
— Miss Webb. — Mr. Finch materializou-se ao seu lado como um mordomo particularmente eficiente. Estava impecável: cartola, fraque, luvas brancas, a expressão de serenidade profissional que provavelmente mantinha até dormindo. — Posso apresentá-la à anfitriã?
— Pode — disse Nell, alisando a seda verde-água do vestido que a senhorita Harrison havia escolhido com a precisão cirúrgica de quem sabe exatamente quanto custava cada centímetro de aceitação social. — Embora eu tenha a impressão de que Lady Pemberton já sabe tudo sobre mim.
— Lady Pemberton sabe tudo sobre todos. É o que a torna uma anfitriã indispensável e uma vizinha aterrorizante.
Thomas, ao lado de Nell, abafou uma risada. Estava usando o melhor terno, gravata de seda preta, o relógio de ouro no bolso. Parecia exatamente o que era — um homem muito rico tentando parecer ainda mais rico — e exatamente o que não era — um cavalheiro nascido em berço esplêndido. A diferença, Nell sabia, estava nos detalhes que só quem cresceu naquele mundo percebia: a maneira como segurava a taça de champanhe um centímetro mais alto do que deveria, como andava com passos largos demais para um salão de baile, como encarava as pessoas nos olhos por tempo demais.
Americanos, diriam. Sem refinamento.
*Irlandeses*, pensou Nell. *Com mais refinamento do que podem suspeitar.*
O salão de baile de Lady Pemberton era um exercício em excesso vitoriano: teto dourado, lustres de cristal que pingavam luz como chuva solidificada, paredes forradas de damasco bordô, um quarteto de cordas tocando Strauss num canto com a expressão resignada de músicos que sabem que ninguém está ouvindo. Centenas de velas — centenas — ardiam em candelabros de prata, e o calor que produziam somado ao calor de duzentas pessoas em trajes formais criava uma atmosfera tão densa que Nell sentiu o espartilho apertar um grau a mais.
— Lady Pemberton — Mr. Finch conduziu Nell até uma mulher de sessenta anos que parecia ter sido esculpida em mármore e vinagre. — Permita-me apresentar Miss Eleanor Webb, de Nova York, e seu pai, Mr. Thomas Webb.
Lady Pemberton examinou Nell com olhos que eram, sem exagero, os mais azuis e mais frios que ela já havia encontrado. Era como ser avaliada por um joalheiro — não pelo que se era, mas pelo que se valia.
— Miss Webb. — O aperto de mão era uma formalidade; Lady Pemberton mal tocou seus dedos. — Ouvi falar de sua família. Seu pai é... no ramo de construções?
— Imóveis — corrigiu Thomas, com o sorriso largo demais que era sua armadura favorita. — Construo o que as pessoas precisam, Lady Pemberton. Casas, escritórios, hotéis. Em Nova York, não temos o luxo de herdar — precisamos erguer.
A observação pairou entre eles como o perfume pesado que a mulher à esquerda insistia em usar. Lady Pemberton decidiu interpretá-la como charmosa em vez de ofensiva — uma escolha, Nell suspeitava, diretamente relacionada ao número de zeros na conta bancária do pai.
— Encantador. — Lady Pemberton virou-se para Nell. — E a senhorita está em Londres para a *Season*?
— Estou em Londres para conhecer a Inglaterra, Lady Pemberton. A *Season* é um bônus agradável.
Mentira. A *Season* era o motivo. Tudo o mais era cenário.
*
A primeira hora foi uma maratona de apresentações. Nell apertou mãos — ou melhor, tocou dedos enluvados, porque apertar mãos era coisa de americana —, fez reverências calibradas, sorriu até sentir as bochechas doerem, e acumulou uma lista mental de nomes, títulos e níveis de hostilidade.
Havia um padrão, percebeu. Os homens a olhavam com curiosidade — a herdeira americana, espécime exótica, potencialmente lucrativa. As mulheres a olhavam com cálculo — mais uma candidata no mercado matrimonial que já estava saturado de dinheiro novo. E todos, sem exceção, a olhavam com aquela condescendência suave que era mais insultante do que qualquer grosseria aberta.
*Sabem que sou rica. Sabem que sou americana. Sabem que estou aqui para comprar o que eles estão vendendo.*
E estavam certos.
Foi em algum momento da segunda hora, quando Nell já estava considerando a possibilidade de escapar para o terraço e respirar ar que não cheirasse a perfume e velas derretendo, que uma voz ao seu lado disse, com sotaque americano e ironia afiada:
Havia, por exemplo, Lord Chatsworth, que lhe perguntou se em Nova York também tinham estações do ano — "com toda aquela modernidade, sabe, nunca se sabe o que vocês já eliminaram" — e Nell respondeu que sim, tinham quatro, incluindo a de caça, que em Manhattan se chamava Wall Street. Ele riu sem entender, o que era, Nell suspeitava, seu estado natural.
E havia Lady Morton, cuja única contribuição à conversa foi informar Nell de que o verde-água "era uma cor corajosa para alguém sem linhagem", ao que Nell respondeu que a coragem era uma qualidade mais útil do que a linhagem em praticamente qualquer circunstância, e Lady Morton se afastou como se tivesse mordido um limão e descoberto que o limão mordia de volta.
Foi em algum momento da segunda hora, quando Nell já estava considerando a possibilidade de escapar para o terraço e respirar ar que não cheirasse a perfume e velas derretendo, que uma voz ao seu lado disse, com sotaque americano e ironia afiada:
— Respire pelo nariz. O perfume de Lady Worthington é menos letal pelo nariz.
Nell virou-se. A mulher era mais ou menos de sua idade — vinte e poucos anos, loura, de rosto anguloso e olhos castanhos que brilhavam com uma inteligência que nenhuma aula de etiqueta conseguira apagar. Usava um vestido de seda azul-marinho que era elegante sem ser espetacular, e os diamantes no pescoço eram grandes o suficiente para serem reais e discretos o suficiente para serem antigos.
— Consuelo Hartfield — disse a mulher, estendendo a mão à americana, com aperto firme. — Nascida Van Rensselaer, de Nova York. Agora Marquesa de Hartfield, de lugar nenhum em particular.
Nell apertou a mão de volta, e algo se encaixou — o reconhecimento instantâneo de quem está no mesmo barco, mesmo que os camarotes sejam diferentes.
— Eleanor Webb. Nell.
— Eu sei quem você é, Nell. — Consuelo pegou duas taças de champanhe de uma bandeja que passava — o garçom era tão silencioso e eficiente que parecia parte da mobília, o que talvez fosse a intenção — e entregou uma a Nell com a naturalidade de quem faz isso todas as noites. — Todo mundo sabe. A nova americana. Finch espalhou a notícia com a sutileza de um canhão. Metade das mulheres nesta sala está tentando decidir se devem cortejá-la ou destruí-la, e a outra metade já decidiu destruí-la e está cortejando por esporte.
— Ele parecia tão discreto.
— Finch é discreto da forma como a *Season* é casual — profissionalmente. Venha. Há pessoas que você precisa conhecer.
Consuelo a conduziu pelo salão com a familiaridade de quem conhece cada armadilha social escondida sob o tapete persa. Parou diante de duas mulheres sentadas num sofá de veludo, tão diferentes entre si quanto era possível: uma morena de olhos intensos, vestido vermelho que desafiava a convenção, mãos que nunca paravam de se mover; e outra de cabelos claros, rosto suave, visivelmente grávida sob camadas de renda creme, irradiando uma tranquilidade que parecia protetora, como armadura de seda.
— Adelaide Morgan — disse Consuelo, apontando para a morena. — Agora Condessa de Cavendish. Pinta quadros que o marido não aprova e usa vermelho em bailes porque ninguém pode proibir uma condessa.
Adelaide estendeu a mão com um sorriso que era quente e conspirador.
— Consuelo exagera. Meu marido não desaprova meus quadros. Ele simplesmente finge que não existem.
— E esta — Consuelo continuou — é Beatrice Astor. Viscondessa de Harding. O único caso documentado de *Dollar Princess* que realmente gosta do marido.
Beatrice riu, a mão sobre a barriga.
— Não é tão raro quanto Consuelo faz parecer. É só que nós somos mais discretas.
— Ou mais sortudas — disse Adelaide.
Nell sentou-se, aceitou a taça, e pela primeira vez desde que pisara na Inglaterra sentiu algo que se parecia com alívio. Não amizade ainda — era cedo demais para isso. Mas reconhecimento. Afinidade. A certeza instintiva de que essas mulheres entendiam algo que nenhuma inglesa naquele salão podia entender: o que significava ser comprada.
— Então — disse Consuelo, baixando a voz com a eficiência de quem aprendeu a ter conversas reais em salas cheias de ouvidos. — Finch. Ashworth. Duzentas mil libras. Conte-nos tudo.
— Não sei se há muito para contar — disse Nell. — Ainda não o conheci.
— Pior — disse Adelaide, inclinando-se para frente. — Então você ainda está na fase em que imagina que pode ser diferente.
Beatrice lhe deu um tapa gentil no braço.
— Não a assuste.
— Não estou assustando. Estou preparando. — Adelaide virou-se para Nell com seriedade repentina. — Escute. Essa coisa que fazem — casar herdeiras americanas com aristocratas ingleses — tem um nome bonito. *Dollar Princesses*. Muito encantador, muito romântico. Mas a verdade é que somos moeda de troca. Nossos pais pagam. Os maridos recebem. E nós ficamos no meio, tentando construir alguma coisa com as sobras.
— Adelaide — Beatrice protestou, suave.
— Estou dizendo a verdade. — Adelaide não desviou o olhar de Nell. — Não porque seja terrível — às vezes não é. Beatrice está feliz. Eu estou... sobrevivendo. Consuelo está...
— Consuelo está bebendo champanhe — interrompeu Consuelo, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Que é a resposta adequada para qualquer situação social na Inglaterra vitoriana.
Nell bebeu um gole. O champanhe era excelente — seco, frio, com bolhas tão finas que pareciam pensamentos se dissolvendo.
— Eu li o contrato — disse Nell. — Todo ele. Cláusulas de propriedade, direitos sobre o dote, condições de dissolução. Se alguma coisa der errado, meu dinheiro é meu.
As três mulheres a olharam. Consuelo ergueu a taça.
— Advogada?
— Filha de um homem que constrói coisas. A primeira coisa que me ensinou foi a ler a planta antes de assinar.
Adelaide inclinou-se para Consuelo.
— Eu gosto dela.
— Todas gostamos — disse Consuelo. — É por isso que estou avisando: o contrato protege seu dinheiro. Não protege o resto. — Ela fez uma pausa. — O resto você vai ter que proteger sozinha.
O quarteto de cordas começou uma valsa nova. O salão rodopiou em pares perfeitamente coordenados, vestidos de seda girando como flores em correnteza. Nell observou a coreografia — porque era isso, coreografia, cada passo medido, cada sorriso calculado, cada toque de mão tão carregado de significado social quanto um tratado diplomático.
— O Ashworth — disse Nell, baixando a voz. — Alguém o conhece?
Consuelo trocou um olhar com Adelaide.
— Pouco. Aparece raramente. Desde que o irmão morreu, praticamente sumiu. Ouvi dizer que passa o tempo na propriedade, cuidando de... plantas?
— Orquídeas — disse Nell.
— Orquídeas. — Adelaide levantou uma sobrancelha. — Bem. Ao menos não são cavalos de corrida.
— Foi exatamente o que meu pai disse.
— Seu pai é um homem sensato — disse Beatrice, ajeitando-se no sofá com o cuidado de quem carrega outro ser humano dentro de si. — E o duque pode ser melhor do que parece no papel. O meu era. — Ela corou. — É.
Consuelo pousou a taça vazia e pegou outra.
— O ponto é: estamos aqui. Todas. No mesmo mercado, com rótulos diferentes. A pergunta não é se o casamento vai ser bom ou ruim. A pergunta é: o que fazemos a partir dele?
Nell olhou para as três. Consuelo, com sua ironia que era escudo e espada. Adelaide, com a raiva que era combustível. Beatrice, com a esperança que era teimosia.
Pensou em Thomas, lá fora, provavelmente fumando o charuto que Nell não o deixava fumar perto dela, negociando com algum aristocrata que o desprezava enquanto aceitava seu dinheiro. Pensou no menino de Cork que atravessou um oceano e apagou um nome para construir outro.
Pensou em si mesma. No segredo que carregava como uma moeda falsa costurada no forro do vestido — sempre presente, sempre escondida, sempre perigosa.
— Fazemos o melhor que podemos — disse Nell. — E mantemos umas às outras de pé.
Consuelo ergueu a taça.
— Às *Dollar Princesses*, então. Que o champanhe nunca acabe e que os maridos sejam, no mínimo, toleráveis.
As quatro brindaram. O cristal tilintou, fino e claro, sob os lustres de Grosvenor House.
*
Mais tarde, quando a noite já se arrastava para o território das despedidas e dos bocejos disfarçados, Nell encontrou Thomas no vestíbulo. Ele cheirava a charuto e ar frio — havia saído para o terraço, como ela suspeitara.
— E então? — perguntou ele, ajudando-a com o xale.
— Conheci três mulheres que foram vendidas como eu e são mais inteligentes do que qualquer homem naquele salão.
— Isso não é difícil.
— Não. — Nell sorriu. — Não é.
A carruagem esperava. A noite londrina os recebeu com seu ar espesso de fuligem e gás de lampião, os sinos distantes de alguma igreja marcando a hora com a paciência de quem mediu séculos e pretendia medir mais alguns.
— O duque não veio — disse Nell, olhando pela janela.
— Finch disse que tentou. Que ele preferiu ficar na propriedade.
— Preferiu ficar com as orquídeas.
— Aparentemente.
Nell encostou a cabeça no vidro frio da carruagem. A cidade passava lá fora como um sonho em sépia — luzes bruxuleantes, silhuetas de chaminés, o clop-clop dos cascos no paralelepípedo como um metrônomo irregular.
Um homem que evitava bailes. Que falava com plantas. Que não viera conhecer a mulher que ia comprar sua salvação.
Interessante. Irritante. E, pensou Nell com algo que se parecia perigosamente com curiosidade, talvez a única coisa honesta que encontrara naquela noite inteira.
— Amanhã — disse ela, mais para Londres do que para o pai — vamos ver se as orquídeas são mais interessantes do que eu.
Thomas riu. A carruagem virou uma esquina, e o *Claridge's* apareceu, brilhando como uma promessa dourada no escuro.